Crastoeiro - Campos


CRASTOEIRO - Castrueiro

As cerca de 50 rochas com gravuras, descobertas até ao momento no Crastoeiro, distribuem-se por cinco complexos núcleos, cada um deles parecendo organizar diferentes recintos. Os principais, pelo número de exemplares e variedade dos motivos gravados, são o 1 e o 2.

O nº 1 possui 21 rochas com gravuras, efetuadas por picotagem e abrasão, 15 delas unicamente com covinhas. Nas restantes, conjugam-se covinhas, semi-círculos, círculos simples e concêntricos, sulcos, uma espiral, um motivo ovalado, segmento, com nuvens de ponto no seu interior, etc. No conjunto, evidencia-se um dos afloramentos que, pelo tamanho, composição decorativa e posicionamento, parece constituir o epicentro do recinto. Trata-se de uma rocha, aplanada e com ligeira pendente para Oeste, cujas gravuras se iluminam de forma intensa quando o sol nasce, por detrás do Monte Farinha. As escavações puseram a descoberto uma pia cavada na rocha e um pavimento que encostava a esta rocha indiciando uma área de circulação, onde se distribuíam duas lareiras. Nas imediações existem diversas construções em pedra e fossas abertas no saibro e nos sedimentos, num nível inferior ao das construções pétreas, estruturas que datam de entre o séc. IV e o séc. II/I a.C..

O nº 2, com 9 penedos gravados, fica a 30 metros para Norte do 1. Aqui evidencia-se uma rocha de superfície boleada, onde se gravou a composição mais complexa do grupo. Durante as escavações, sob uma ocupação medieval, apareceram duas rochas com gravuras, uma com duas covinhas isoladas e dois conjuntos de semi-círculos concêntricos que abarcaram duas protuberâncias cónicas do suporte, separadas por uma fissura e outra, encostada à anterior, apenas gravada com covinhas. As escavações desta área revelaram uma última utilização das gravuras durante os finais da Idade do Ferro (séc. I a. C.), através de resquícios de pavimentos com o negativo de uma lareira, co-relacionável com uma pia cortada num bloco de granito, aqui encontrada. Sob estas materialidades ocorre um palimpsesto de fossas, sem negativo, e uma estrutura circular semi-subterrânea o que coloca a primeira reutilização das gravuras nos séc. IV/III a.C., segundo datas radiométricas. Não se detetaram níveis estratigráficos mais antigos na área, no entanto a presença de uma ponta de seta, de escassas cerâmicas dos finais do IV aos meados do III milénio a.C. e de outras da Idade do Bronze, no enchimento de algumas fossas da Idade do Ferro, permite presumir ocupações destes períodos ou utilizações frustres deste lugar, completamente destruídas pelas ocupações posteriores da Idade do Ferro.

 

Cronologia: Idade do Ferro


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